Hipólito José da Costa

Nasceu na Colônia do Sacramento, às margens do Rio do Prata (hoje território do Uruguai), em 25 de março de 1774, quando o território fazia parte da Coroa Portuguesa. Sua família transferiu-se para a região que deu origem à cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde Hipólito iniciou seus estudos. Em 1792, estudou Filosofia e Direito em Portugal, na Faculdade de Coimbra. Nos Estados Unidos, em 1798, iniciou estudos científicos sobre o clima e a agricultura da região, quando obteve contato com a maçonaria e escreveu seu primeiro livro: “Diário de minha viagem para a Filadélfia”.

Retornou à Portugal em 1800, sendo nomeado Diretor da Imprensa Régia. Em 1802, viajou à Inglaterra em missão oficial para comprar máquinas e equipamentos de impressão. Como atividade secreta, iria reunir-se com os maçons daquele país para tratar de assuntos das “Casas Maçônicas Portuguesas”. Ao retornar a Lisboa, foi preso por ordem do Santo Ofício, pois a maçonaria era condenada pela igreja. Em 1805, fugiu da prisão com a ajuda de amigos maçons, indo estabelecer-se na Inglaterra, onde se tornou amigo do príncipe herdeiro, o Duque de Sussex, filho do rei inglês Jorge III. Neste país atuou como professor de Línguas.

Em 1º de junho de 1808, Hipólito José da Costa publicou, em Londres, o primeiro número do jornal “Correio Braziliense” ou “Armazém Literário”, em fascículos mensais, com cerca de 80 páginas. Até 1822, quando foi extinta sua edição, o jornal havia produzido 175 fascículos. A publicação foi proibida de circular no Brasil e em Portugal devido aos artigos que pregavam liberdade de expressão, a independência do Brasil, além de condenar a aristocracia parasitária do Reino e a exploração econômica de Portugal em relação ao Brasil. Em função dos artigos que criticavam a política do governo português, a veiculação do jornal tornou-se ilegal. No entanto, o Correio Braziliense circulou de forma clandestina no Brasil e na metrópole portuguesa.

Em 11 de setembro de 1823, em Londres, morre o ilustre jornalista, considerado o Patrono da Imprensa no Brasil. Desde o ano de 2000, o Dia Nacional da Imprensa no Brasil é comemorado em 1º de junho, quando foi publicado pela primeira vez o Correio Braziliense, devido ao caráter de nacionalidade do jornal, mesmo sendo editado fora do país. A adoção desta data comemorativa foi uma efetivada através de diversas lutas das associações jornalísticas e de profissionais e intelectuais do setor, inclusive da Associação Riograndense de Imprensa (ARI).

Em 2001, a Fundação Assis Chateaubriand promoveu o translado dos restos mortais de Hipólito José da Costa da Inglaterra para o Museu da Imprensa, em Brasília. O patrono da imprensa no Brasil ocupa a cadeira de número 17 da Academia Brasileira de Letras.

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